29 de set. de 2007

limpeza ecológica


A quem gosta de receitas de produtos caseiros, ecológicos, sugiro que espreite aqui
E aqui fica outra dica: as nódoas de vinho tinto saem do tecido se o esfregarmos com medronho (presumo que também funcione com outro tipo de aguardente)

carta astral (brevemente neste blog)

28 de set. de 2007

sabão artesanal (a água lava tudo menos a má língua; para esta, nada como sabão caseiro)


10 Kg de Sebo

5 Kg de Cinzas

10 litros de Água

1 Kg de Soda Cáustica

Como fazer:
Derreta o sebo em fogo lento até ficar uniforme. Ferva as cinzas juntamente com a água, durante 4 horas. Deixe a cinza assentar e use somente a água para juntar ao sebo. Mexa bem. Coloque lentamente a soda, já fora do fogo, e mexa bem até dissolver. Coloque em formas.

A cinza tem um alto poder de branquear.
Dica: Para clarear toalhas, coloque-as de molho, ensaboadas, num balde com uma “trouxinha” de cinzas. Lave normalmente no dia seguinte.
Obs: cuidado com o manuseamento da soda.



Base Glicerinada para Sabonete
Panela de esmalte
Essência de maracujá
Forma em PVC ou Silicone

Pique a base glicerinada para sabonete e coloque na panela de esmalte. Derreta em banho maria . Após derretida toda a base - verifique, com uma colher, se não há pedaços de glicerina não derretidos no meio da panela - misture a essência e mexa devagar. Despeje nas formas de PVC ou de Silicone e espere até solidificar - entre 40' e 80'.

enquanto não chega o inverno...




a lua cheia passou por cá







22 de set. de 2007



"O bom senso é, de todas as coisas entre os homens, a mais igualmente distribuída; todas as pessoas pensam que são tão abundantemente providas de bom senso, que até mesmo aqueles que são os mais difíceis de se satisfazer em outras coisas, normalmente não desejam uma medida maior desta qualidade que aquela que já possuem. E assim, não é provável que todos estejam bastante enganados com essa convicção, que é tomada como testemunho de que o poder de julgar corretamente e de distinguir a verdade do erro, o que é propriamente chamado de bom senso ou razão, é por natureza igual em todos os homens; e que a diversidade de nossas opiniões, por conseguinte, não surge de alguns sendo dotados de uma parte maior de razão que outros, mas somente disto, que nós administramos nossos pensamentos ao longo de caminhos diferentes, e não fixamos nossa atenção nos mesmos objetos. Ser possuidor de vigorosos poderes mentais não é o bastante; o requisito principal é justamente saber aplicá-los bem . As maiores mentes, assim como são capazes das maiores excelências, estão igualmente abertas às maiores aberrações; e aqueles que caminham muito lentamente podem fazer maiores progressos, se se mantiverem convictos do seu caminho, que aqueles que, enquanto correm, o abandonam."

Descartes

obrigada pelo que me fizeram






O importante não é o que fizeram de mim mas o que eu faço do que fizeram de mim...

20 de set. de 2007


Natália Correia



Cântico do País Emerso



Os previdentes e os presidentes tomam de ponta
Os inocentes que têm pressa de voar
Os revoltados fazem de conta fazem de conta...
Os revoltantes fazem as contas de somar.



Embebo-me na solidão como uma esponja
Por becos que me conduzem a hospitais.
O medo é um tenente que faz a ronda
E a ronda abre sepulcros fecha portais;



Os edifícios são malefícios da conjura
Municipal de um desalento e de uma Porta.
Salvo a ranhura para sair o funeral
Não há inquilinos nos edifícios vistos por fora


Que é dos meninos com cataventos na aérea
Arquitetura de gargalhadas em cornucópia?
Almas bovinas acomodadas à matéria
Pastam na erva entre as ruínas da memória,


Homens por dentro abandalhados em unhas sujas
Que desleixaram seu coração num bengaleiro;
Mulheres corujas seriam gregas não fossem as negras
Nódoas deixadas na sua carne pelo dinheiro;


Jovens alheios à pulcritude do corpo em festa
Passam por mim como alamedas de ciprestes
E a flor de cinza da juventude é uma aresta
Que me golpeia abrindo vácuos de flores silvestres


E essa ansidedade de mim mesma me virgula
Paula de pátria entressonhada. É um crisol.
E, o fruto agreste da linfa ardente que em mim circula
Sabe-me a sol. Sabe-me a pássaro. Pássaro ao sol.


Entre mim e a cidade se ateia a perspectiva
De uma angústia florida em narinas frementes.
Apalpo-me estou viva e o tacto subjectiva-me
a galope num sonho com espuma nos dentes.


E invoco-vos, irmãos, Capitães-Mores do Instinto!
Que me acenais do mar com um lenço cor da aurora
E com a tinta azulada desse aceno me pinto.
O cais é a urgência. O embarque é agora.
"É no paradigma da Grande Mãe que vejo a fonte cultural da mulher; por isso lhe chamo matrismo e não feminismo. É aquilo a que eu chamo o cansaço do poder masculino que desemboca no impasse temível do tal equilíbrio nuclear que criou uma situação propícia a que os valores femininos possam emergir, transportando a sua mensagem. "
NATÁLIA CORREIA

II - Canto-te


Canto-te para que tu definitivamente
existas
Canto o teu nome porque só as coisas cantadas
realmente são e só o nome pronunciado inicia
a mágica corrente
Canto o teu nome como o homem fazia eclodir
o fogo do atrito das pedras
Canto o teu nome como o feiticeiro invoca
a magia do remédio
Canto o teu nome como um animal uiva
de
Como os animais pequenos bebem nos regatos depois
das grandes feras
Canto-te
e tu definitivamente existes nos meus olhos
Sempre abertos porque é sempree os meus olhos
são os olhos da criança que nós somos sempre
diante da imensidão do teu espaço
Canto-te
e os meus olhos sempre abertos são a pergunta
instante pendente de eu te interrogar
e interrogo as coisas em seu ser noctumo
em seu estar sombriamente presentes na tua claridade
obscura
E como é sempre
meus olhos abertos prescrutam-te
símbolo de tudo o que me foge
como apertar o ar dentro das mãos
e querer agarrar-te
oh substância
Canto-te
com a fragilidade de tudo que existe perante
uma eternidade demasiado nocturna para os nossos
olhos infantis perante a tua antiguidade
futura
E a nossa voz é uma pequena onda no dorso
do teu oceano de matéria
Um leve arrepio apenas na espantosa espessura
de teu éter
Ah no ar é que tudo acontece
no ar nocturno das idades esquecidas
que previamente desconheceremos
No espaço é que tudo acontece
e o espaço é uma grande muito quieta
onde os nossos olhos penetram
no não sabermos até onde
ali
além
no além onde tudo acontece
Oh
oh espaço de tudo ser tão ligeiro e impalpável
e sermos nós a respiração da
teu bafo ritmado
imperceptível distância
Oh augusta majestática dignidade do silêncio
Oh impassibilidade da tua mecânica celeste
Oh organismo primeiro de todos os fins secretos
da compreensão das coisas
Oh inorgânico organismo dos seres
que se devoram
Oh diz
a quem servimos nós de pasto
Canto-te
como quem pronuncia o Mantra esotérico do teu nome
Canto-te e grito
para que a poeira que se infiltra em todas as
coisas se erga de ti como um plâncton
Oh Madre
matriz das criaturas inferiores que rastejam
a teus pés cobertas de pó
esse pó que a cada momento ameaça submergir-nos
Oh aranha enorme tecendo tua teia de pó
Oh que desintegras tudo e tudo tu constróis
Ah como nós lambemos tuas duras mãos
Oh que fustigas nossos olhos com tua sombra
Enorme
Oh que deixas tanto espaço para o silêncio
das mil pétalas
dos mil braços esplendorosos em seu abandono
dos murmúrios
dos afagos
sangue derramado sobre o mundo
Oh
Porque és sempre tão premente?
e sempre estás ausentemente
na tua constância em todas as coisas?
Oh sono
Oh morte tão desejada e longa
mágica povoada de átomos
milhões de espíritos enchem o teu sopro
E penetras em nós como uma bala
E tudo morre quando tu chegas
E tudo se dilui e se transforma em ti
alada presciência de tudo acontecer
tão longe de nós e tão antigamente
e tudo nos ultrapassar com soberana indiferença
ante os nossos olhos cegos pelo teu negrume
Oh
brilha para dentro de mim
Acende teus luzeiros em meus olhos
Ergue teus braços oh prenhe de tudo
Oh vaso
Oh via láctea de nos amamentares com teu leite
de sombra
Oh úbere e pródiga
Aleita tua ninhada faminta
Grande fera luzidia
Grande mito
Grande deus antigo
Oh urna onde todos dormimos
Oh
Meus olhos choram já de tanto prescrutar-te
E canto-te
Canto-te
Para que tu existas
E eu não veja mais nada além de ti
E nada mais deseje senão que venhas outra vez
levar-me para dentro do teu ventre
de nunca mais haver
E nada mais haver que
Oh tu definitivamente além

Ana Hatherly
Poemas de Eros Frenético e Contemporâneos
um calculador de improbabilidades
Quimera
1ª edição 2001